Dentistas levando qualidade de vida para pacientes hospitalizados

6/12/2016 às 02h12

Novo campo de atuação do cirurgião dentista leva qualidade de vida a pacientes hospitalizados

 

Realizar procedimentos preventivos, curativos ou estéticos em consultórios odontológicos é uma prática clínica que faz parte da rotina de um cirurgião dentista. O que poucos sabem, tanto profissionais quanto os pacientes, é que os cirurgiões dentistas agora têm sua atuação reconhecida e valorizada em ambiente hospitalar. 

A resolução 162/15 do Conselho Federal de Odontologia traz a regulamentação e delimitação das atribuições desses profissionais, em sua atuação interdisciplinar com a equipe hospitalar.

Os pacientes internados em ambiente hospitalar possuem restrições em suas rotinas diárias, incluindo muitas vezes os cuidados essenciais com a profilaxia bucal. Nesse contexto, a adoção de dietas e medicamentos específicos necessários na condução do tratamento a que estão sendo submetidos, altera a constituição da microbiota bucal, tornando o paciente imunossuprimido, aumentando a patogenicidade das bactérias presentes nesse meio. 

O conhecimento das possíveis alterações bucais que aparecerão ou estarão presentes durante o tratamento são de conhecimento dos cirurgiões dentistas habilitados em Odontologia Hospitalar. Sendo assim, é possível que esses profissionais atuem na prevenção do aparecimento de lesões bucais causadas por tratamento quimio-radioterápico, por exemplo, ou mesmo no acompanhamento diário de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva e ambulatórios, realizando a prevenção, diagnóstico e tratamento de lesões bucais com potencial infeccioso.

Estudos já comprovaram que a melhora da higiene bucal e o acompanhamento por profissional qualificado reduzem significantemente a progressão da ocorrência de doenças respiratórias entre pacientes adultos considerados de alto risco e mantidos em cuidados paliativos, e principalmente, os pacientes internados em UTI.¹

Freqüentemente, em UTI o paciente necessita de ventilação mecânica. A literatura demonstra que as pneumonias associadas a este tipo de recurso acometem grande percentagem destes pacientes, com taxas alarmantes de mortalidade.  A colonização da orofaringe por microrganismos Gram-negativos, de pacientes intubados, ocorre nas primeiras 48 a 72 horas após a admissão na UTI, e alcançam os pulmões através das secreções bucais que “vazam” pelos lados do balonete do tubo traqueal.2

Contribuir para o restabelecimento da qualidade de vida do paciente é a essência desta nova área de atuação.

Frisa-se, contudo, a necessidade destes profissionais realizarem curso de pós-graduação em Odontologia Hospitalar, em conformidade com a resolução 162/15 CFO, para atuarem dentro dos hospitais.

O PL 34/13 que teve sua redação finalizada, e está em fase de votação em plenário no Congresso, torna obrigatória a presença do cirurgião dentista com o curso de Odontologia Hospitalar em hospitais públicos e privados, curso esse em consonância com a resolução 162/15 CFO. 

Aos cidadãos ficará a certeza da assistência integral da Odontologia em ambiente hospitalar, e aos colegas cirurgiões dentistas, mais uma oportunidade de humanizar os cuidados odontológicos em uma carreira promissora.

Em Manaus, o Instituto Brasileiro de Ensino do Norte (IBEN) irá iniciar o curso de pós-graduação em Odontologia Hospitalar, com inscrições previstas até o dia 20 de dezembro de 2016 periodicidade mensal (um final de semana ao mês) e duração de 13 meses. Prepare-se para mais essa oportunidade.

 

Mirela Peron e Pablo Peron – Cirurgiões Dentistas

 

¹Rabelo GD, Queiroz CI, Santos PSS. Atendimento odontológico ao paciente em unidade de terapia intensiva.Arq Med Hosp Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2010; 55(2): 67-70

 

2 Scannapieco FA, Rossa Júnior C - Doenças Periodontais versus Doenças Respiratórias, em: - Brunetti MC - Periodontia Médica. São Paulo: SENAC, 2004;391-409.